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quarta-feira, junho 02, 2010

A Itália Nos Mundiais - 1990


A Copa do Mundo de 1990, a 14ª organizada pela F.I.F.A., entrou para a história como a que teve a menor média de gols (2,21 por partida) e, para os italianos, deixou um gosto semelhante ao que os brasileiros sentiram em 1950.
À época, a Serie A vivia seu auge (além de todos os azzurri, desfilavam no campeonato italiano a grande maioria dos astros das outras seleções, como o argentino Maradona, o brasileiro Careca e os trios alemão da Inter e holandês do Milan) e a Itália tinha uma seleção com vários candidatos ao posto de craque da Copa.
Aliás, após a desilusão do México em 1986, Azeglio Vicini, ex treinador da U 21, assumiu o comando do selecionado italiano principal e, com o tempo, promoveu larga renovação no grupo, que chegou ao mundial disputado na própria Itália com poucos atletas na faixa dos 30 anos e vários jovens de grande valor, dentre os quais Ferrara, Maldini, Berti e Baggio.
Semi-finalista da Eurocopa de 1988, a Itália, portanto, aparecia como grande favorita da competição que com tanto afinco organizava, implementando várias novidades nas 12 sedes do torneio.
Jogando no 4-4-2 tipicamente italiano, com o lateral direito Bergomi funcionando mais como um terceiro zagueiro e Maldini, na esquerda, livre para apoiar, com o ala Donadoni executando a função de ala tornante pela direita e Giannini a de trequartista alle spalle de Vialli e Carnevale, a Azzurra fez sua estréia na competição no dia 09 de junho, em Roma, enfrentando a Áustria do ex granata Polster (abaixo, a formação inicial mandada a campo por Vicini - Guerin Sportivo).
Porém, diante do nervosismo da estréia e contra uma bem postada defesa austríaca, a Itália encontrou mais dificuldades do que previsto, inclusive porque Vialli e Carnevale não estavam em bom dia, ao contrário do goleiro Linderberger, que ainda contou com a ajuda da trave para impedir gol de Ancelotti aos 23' do 1º tempo.
Aí, quando a Azzurra caminhava para um resultado sotto tono, eis que Vicini mandou a campo o atacante Totò Schillaci (substituíndo um spento Carnevale), com o veloz avante nascido na Sicília, na sua segunda aparição com a camisa azul da Itália, marcando de cabeça em cruzamento de Vialli apenas 4' depois de entrado em campo!
Apesar do resultado magrinho, a vitória foi tão sofrida quanto merecida, com a squadra azzurra apresentando un gioco a tratti entusiasmante.
No dia 14, foi a vez da Itália enfrentar os Estados Unidos, que voltavam a uma Copa do Mundo depois de nada menos que 40 anos.
Tendo perdido por 5 x 1 na estréia contra a Tchecoslováquia, os norte-americanos deram a impressão de que sofreriam nova goleada quando Giannini (ao lado marcado por Armstrong - Storie di Calcio), em grande jogada do ataque italiano, fez 1 x 0 para a Azzurra aos 11'.
Porém, com Berti no posto do lesionado Ancelotti, a Itália não reeditou a boa atuação contra a Áustria e, não obstante Vialli ter desperdiçado um pênalti ainda no 1º tempo, a matemática classificação às 8ªs de final acabou sendo mais suada do que esperado por conta do 1 x 0 final.
Fechando a 1ª fase, a Itália enfrentou o forte selecionado da Tchecoslováquia naquela que foi, provavelmente, a melhor atuação da Azzurra em toda a competição.
Já com Schillaci e Baggio nos lugares dos decepcionantes Vialli e Carnevale, a Itália dominou a partida desde os minutos iniciais e abriu o marcados aos 9', mais uma vez com o baixinho Schillaci fazendo de cabeça.
No 2º tempo, depois de um pênalti clamoroso não marcado em Totò e de um gol aparentemente regular de Griga anulado pelo árbitro Quiniou, coube a Baggio (acima em ação - Guerin Sportivo) iniciar uma jogada na linha divisória do meio de campo e, após uma curta tabela com Giannini, disparar rumo a meta adversária para, passando por dois adversários, concluir para realizar o mais belo gol da competição, decretando o 2 x 0 final que assegurou à Itália continuar em Roma (para ver o gol em questão e os melhores momentos da partida, acesse http://www.youtube.com/watch?v=1J5dXkRUINM&feature=related).
Nas 8ªs de final, foi a vez da Itália superar o Uruguai também pelo placar de 2 x 0.
Contra um adversário que só pensou em se defender e particularmente duro nas divididas, a Itália não conseguiu ser muito incisiva na 1ª etapa, mas depois da entrada do aríete Serena no posto de Berti, tendo os criativos Giannini e Baggio no suporte de Schillaci e do próprio atacante da Inter, os comandados de Vicini conseguiram estufar as redes do ótimo goleiro Alvez aos 20' do 2º tempo, mais uma vez com Schillaci (acima, à esquerda, perseguido pelo zagueiro Gutierrez, então jogador do Verona - Guerin Sportivo), que realizou um golaço encobrindo o portiere uruguaio.
Una volta in vantaggio, tudo ficou mais fácil para a Itália, que aos 38' voltou a marcar com Serena completando, de cabeça, cruzamento de Giannini.
Estreante em Copas do Mundo, a Irlanda foi a adversária da Itália nas 4ªs de final!
Sem grandes estrelas, o time irlandês primava pelo pragmatismo e, muito bem preparado fisicamente, chegara até ali com nada menos do que 4 empates (contra Inglaterra, Egito e Holanda na 1ª fase e contra a Romênia nas 8ªs de final, quando venceu nas cobranças de pênalti), defendendo ainda uma invencibilidade que já durava 17 partidas.
Acabou sendo uma partida dura e pouco plástica, com a Itália, que entrou em campo em uma espécie de 4-3-1-1-1 (ao lado l'undici iniziale - Guerin Sportivo), com Donadoni e De Agostini como esterni e Giannini dietro a Baggio e Schillaci, vencendo pelo placar mínimo de 1 x 0, com mais um gol de Totò, que aproveitou rebote do veterano goleiro Bonner em potente chute de Donadoni.
Chegada as semi-finais, a Itália, pela primeira vez, deixou Roma - e logo em direção a Nápoles, onde enfrentou a Argentina de ... Maradona!
Bergomi, capitão daquela Azzurra, relembra o ambiente vivenciado em 03 de julho de 1990: "Eravamo a Napoli, Diego Maradona aveva preparato ad arte la partita, stuzzicando i tifosi del Napoli: vi ignorano tutto l'anno e adesso vi chiedono aiuto per sostenere la Nazionale. Entrammo in campo per il riscaldamento, sentimmo qualche applauso, ma anche una certa freddezza. Una parte dei tifosi era con l'Argentina di Diego, noi eravamo abituati al clima magico dell'Olimpico a Roma, una simbiosi con la gente che ci dava un'enorme fiducia e patimmo il contraccolpo".
Com Vialli de volta ao time titular (no lugar de Baggio, em controvertida alteração promovida por Vicini), a Itália efetivamente não conseguiu reeditar as atuações seguras do Olimpico, mas ainda assim abriu o placar aos 17', quando o oportunista Schillaci aproveitou rebote de Goycochea em conclusão de Vialli, após jogada do próprio blucerchiato com Giannini.
Mesmo sem jogar bem, o desenrolar da partida levava a crer que a vaga na finalíssima ficaria mesmo com a Itália, pois a Argentina vinha se classificando aos trancos e barrancos e não contava com um ataque dos mais intimidadores, tendo anotado apenas 4 gols nas 5 partidas anteriores.
Mas, quis o destino que o goleiro Zenga, então melhor do mundo na posição e até hoje detentor da maior invencibilidade em Copas do Mundo, saísse muito mal em cruzamento de Olarticoechea aos 22' do 2º tempo e fosse antecipado pelo anjo louro Caniggia, que antecipou o arqueiro italiano e o zagueiro Ferri para empatar a partida (acima, o crucial lance - Guerin Sportivo).
Vicini ainda mandou Serena e Baggio a campo, o jogo foi para a prorrogação, a Argentina teve Giusti expulso, mas a decisão foi mesmo para os pênaltis, quando brilhou a estrela de Goycochea defendendo as cobranças de Donadoni e Serena e o sonho italiano de conquistar o tetracampeonato em seus gramados acabou (no vídeo ao final do post, é possível acompanhar os highlights da partida e ainda entrevistas, inclusive com Totò Schillaci).
Como epílogo, a Itália ainda venceu a Inglaterra na disputa pelo 3º lugar do Mondiale jogando em Bari no dia 07 de julho, véspera da grande finalíssima.
Para o jogo, Vicini promoveu várias alterações na equipe, lançando Ferrara, Vierchowod e Ancelotti, mas foram novamente Baggio e Schillaci (que terminou como artilheiro da Copa, com 6 gols) que marcaram para a Itália, enquanto Platt (ao lado subindo mais alto que Maldini e Ferrara - Storie di Calcio) anotou o da Inglaterra em partida que foi muito mais agradável e disputada que a final protagonizada entre Alemanha Ocidental e Argentina.

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domingo, maio 30, 2010

A Itália Nos Mundiais - 1986


A Copa do Mundo disputada em 1986, a 13ª organizada pela F.I.F.A., foi a Copa do argentino Diego Armando Maradona, que conduziu, com atuações memoráveis, uma apenas limitada Selección ao seu 2º título mundial.
Inicialmente prevista para ser realizada na Colômbia, a competição acabou, devido aos graves problemas econômicos vivenciados pelo país sul-americano, ocorrendo no México, que, assim, se tornou o primeiro país ad ospitare duas Copas.
A Itália, também classificada automaticamente por ser a então campeã, não precisou disputar o torneio eliminatório, que alinhou 121 seleções em busca das 22 vagas restantes e não registrou maiores surpresas, com a classificação dos principais selecionados, além dos estreantes Canadá, Iraque e Dinamarca, dos italiani Elkjaer, Laudrup e Berggreen.
Porém, apesar de ter sido levada ao México pela mesma tripulação da Alitalia responsável pelo transporte da delegação italiana 4 anos antes, a Azzurra não conseguiu reeditar a campanha realizada em gramados espanhóis e acabou eliminada precocemente nas 8ªs de final pela França.
Ainda assim, inserida no Grupo A ao lado de Argentina, Bulgária e Coréia do Sul, os italianos, com 10 remanescentes do grupo campeão do mundo, até que tiveram uma estréia auspiciosa.
Mais uma vez comandados por Bearzot, os italianos entraram em campo no dia 31 de maio, logo após a cerimônia de abertura, dispostos no usual 4-3-3 bearzotiano, com o ala tornante Conti voltando para compor o meio de campo quando a equipe não tinha a bola e com as surpresas De Napoli (que havia estreado na Azzurra apenas no último amistoso antes da competição, disputado contra a China no San Paolo) e Galderisi, que ganharam os postos no undici titolare até então pertencentes a Ancelotti e Pablito Rossi.
E, foi com um De Napoli (então jogador do modesto Avellino) superiore all'attesa que a Itália começou ameaçando a meta defendida por Mikhailov, mas o vigoroso centrocampista acabou concluindo por cima.
Depois, com um Altobelli em constante movimentação, a Azzurra criou várias outras chances, mas só conseguiu abrir o placar aos 43', quando o próprio Spillo concluiu cruzamento de Di Gennaro para colocar a Itália em vantagem.
No 2º tempo, a Itália continuou pressionando e, após uma tabela com Altobelli, Scirea teve grande oportunidade para ampliar o marcador quase da marca do pênalti (veja este e os outros melhores momentos da partida acessando http://www.youtube.com/watch?v=5_Je1ZjZzg4), mas, mesmo com a entrada de um giovane Vialli no lugar de Conti, a Azzurra não definiu a vitória enquanto pôde e acabou sofrendo o (injusto) empate aos 40', na única oportunidade búlgara, com o avante Sirakov (na foto do alto disputando a jogada com o goleiro Galli - Storie di Calcio) testando a pelota entre os zagueiros italianos e pegando Galli no contrapé.
Diante do tropeço na estréia, a Itália viajou até Puebla, onde enfrentou a Argentina no dia 5, precisando ao menos de um empate contra o time de Maradona.
Como em 1982, a definição de quem marcaria Don Diego veio apenas em cima da hora, com Bearzot, muito inteligentemente, optando pelo meia Bagni, companheiro de Napoli e amigo pessoal de Maradona, o que acabou inibindo as costumeiras dramatizações do astro argentino.
Com a mesma formação utilizada contra a Bulgária, mais uma vez a Itália começou melhor e, aos 6', o árbitro holandês Keizer marcou pênalti de Burruchaga, que foi convertido com bastante tranquilidade por Altobelli.
A impressão é que o gol saiu muito cedo, pois a Itália recuou demasiadamente e permitiu o crescimento da Albiceleste, que, capitaneada por seu grande maestro, chegou ao empate ainda no 1º tempo com um dos memoráveis gols que Maradona (na foto acima, à esquerda, entre Di Gennaro e Di Napoli - Foto-Net) realizou naquele Mundial (no vídeo ao final do post, os highlights desse encontro e entrevistas com, dentre outros, Galli, que explica a dinâmica do gol sofrido).
A Itália, única adversária que não foi derrotada pela Argentina no México, começava sua caminhada como na Espanha...
No último compromisso válido pelo girone qualificazione, porém, a Itália, com Collovati no lugar de Bergomi, tendo Vierchowod deslocado para a lateral (ao lado a formação inicial - Guerin Sportivo), não deu chances para ser surpreendida pela Coréia do Sul, fazendo 3 x 2 em uma partida relativamente tranquila, com Altobelli realizando uma doppietta e ainda desperdiçando um pênalti.
Só que o torneio já estava para terminar para os italianos que, mesmo com Beppe Baresi no lugar do mais criativo Di Gennaro, não conseguiram parar Le Roi Platini (abaixo contra o seu companheiro de Juventus, Scirea - Storie di Calcio) nas 8ªs de final.
Aquela França treinada por Henri Michel, provavelmente, foi a mais técnica que já envergou a camisa tricolore e tinha sua base no Carré Magique formado por Fernandez, Tigana, Giresse e Platini, que, mesmo iniciando as ações francesas da sua metade do campo, também chegava constantemente à área adversária para finalizar, como fez aos 14', quando tocou por cima de Galli para abrir o marcador com um toque de legítima classe.
Em desvantagem, a Itália não conseguiu reagir, não levando perigo a meta defendida por Bats senão em jogadas de bola parada e, mesmo após a troca de Di Gennaro por Baresi e Vialli por Galderisi, não conseguiu ser incisiva, sucumbindo minutos depois ao levar mais um gol francês (aos 57'), marcado por Stopyra em jogada de Tigana e Rocheteau.
Era o fim do caminho para Bearzot e para a geração campeã do mundo em 1982.

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