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sábado, maio 15, 2010

A Itália Nos Mundiais - 1982


Para conciliar a política do terzo-mondismo do presidente da F.I.F.A. João Havelange com as pretensões do presidente da U.E.F.A. Artemio Franchi, a Copa de 1982, disputada na Espanha de 13 de junho a 11 de julho, foi a primeira a contar com 24 seleções, sendo 14 delas da Europa.
Inserta no Gruppo 5, a Itália não teve maiores dificuldades nas Eliminatórias, vencendo os seus primeiros 4 jogos (contra Dinamarca e Iugoslávia em casa e Luxemburgo e Grécia fora) sempre por 2 x 0, para depois apenas administrar a vantagem no girone di ritorno do turno eliminatório.
Porém, a tirada de pé, somada aos maus resultados obtidos nos amistosos disputados antes da Copa (derrotas para a França por 2 x 0 e para a Alemanha Oriental por 1 x 0 e empate com a Suíça em 1 x 1) fizeram com que a Azzurra chegasse um tanto desacreditada à Espanha.
Apesar da espinha dorsal do time ser a mesmo do de 1978, enriquecida com a explosão do ótimo Bruno Conti pela extrema direita, não é possível esquecer que o futebol italiano ainda sofria as conseqüências do escândalo que ficou conhecido como Totonero e que resultou na prisão de vários atletas, dentre os quais Pablito Rossi, que só voltara a jogar nas últimas 3 rodadas do campeonato 1981/1982, o bastante para ser preferido ao goleador da Roma Pruzzo.
Assim, a Itália fez sua estréia na 12ª Copa do Mundo no dia 14 de junho contra a ótima Polônia de Zmuda, Lato, Buncol, Smolarek e, principalmente, Boniek, que após a competição iria reforçar a Juventus.
Mas, apesar do bloco juventino em campo pela Itália (Zoff, Gentile, Cabrini, Scirea, Tardelli e Rossi), a partida não foi das melhores, com a Azzurra concedendo pouco espaço ao adversário, mas não conseguindo encaixar sua arma mais letal - o contragolpe!
No final, ambas as equipes pareceram satisfeitas com o 0 x 0.
No dia 18, novamente em Vigo, Bearzot confirmou l'undici iniziale do jogo contra a Polônia, desta vez contra o veloz Peru comandado pelo brasileiro Tim.
Atuando no 4-3-3 que se transformava, sem a bola, em um 4-4-2 ou mesmo em um bastante prudente 1-4-4-1 tendo o excepcional líbero Scirea atrás da linha de zagueiros, a Itália dominou o 1º tempo e conseguiu abrir o marcador contra os peruanos aos 19', em jogada que começou pela esquerda com Cabrini e que, em seguida, teve a participação de Antognoni tocando para Conti, que se livrou do marcador e disparou um tirambaço de fora da área (na foto do alto o momento do chute - Panini) que entrou no ângolo do goleiro Quiroga.
Porém, desta vez o famoso goleiro argentino de nascimento não sofreria uma avalanche na 2ª etapa, porque o Peru, até então temente e totalmente dominado pela Azzurra, voltou melhor e passou a pressionar a defesa italiana, com Collovati desviando um chute de Díaz para empatar a partida aos 84'.
Apesar dos 2 empates colecionados, uma particularidade do Grupo 1, repleto de pareggi, fez com que a Itália entrasse em campo para seu último compromisso pela primeira fase precisando apenas ... de mais um empate.
E, embora não tenha sido estupenda, a atuação italiana frente aos estreantes de Camarões foi a melhor na primeira fase - com Oriali no posto do contundido Marini e comandada por Antognoni (acima, à esquerda, saltando o volante Kunde - Guerin Sportivo), a Itália criou várias oportunidades, mas encontrou seus avantes em um mau dia, em especial o até então impapável Rossi.
No final, mais um empate em 1 x 1, com gols de Graziani e réplica quase que imediata de M'Bida, mas uma classificação para a fase seguinte que em nenhum momento foi ameaçada.
Entretanto, decepcionada pelo futebol pouco empolgante apresentado na primeira fase, a imprensa italiana passou não mais a criticar o time pelo que (não) fazia dentro das 4 linhas e se ocupou de perseguir alguns jogadores - gerando até insinuações sobre a sexualidade do lateral Cabrini e do avante Rossi, o que acabou por criar um verdadeiro racha entre a Azzurra e a opinião pública italiana, mas fortaleceu ainda mais o grupo do técnico Bearzot, resultando no silenzio stampa que prosseguiria até o final do torneio.
Para a primeira partida pelo triangular da segunda fase, contra a campeã Argentina, Bearzot manteve o mesmo time que começou (e terminou) contra Camarões (acima a formação que entrou no acanhado Sarriá - Guerin Sportivo), disposto no 4-3-3.
Mesmo undici, mas outra forma de jogar, com Gentile (que deixou o bigode crescer para aparentar più torvo) sendo deslocado da lateral direita para marcar o astro Maradona - o que fez implacavelmente!
Com Oriali controlando o ótimo Ardiles e Cabrini de olho no ala Bertoni, a Itália chamou a Argentina para o seu campo e, após um 1º tempo bastante disputado, começou a encaixar seus contra-ataques sob os atônitos olhares de Kempes & Cia.
Assim, aos 11' da 2ª etapa, Conti começou puxando um contragolpe tocando para Tardelli, que deixou para Antognoni, que, por sua vez, devolveu para o meia bianconero bater no canto de Fillol e colocar os italianos em vantagem.
A Argentina de Menotti não conseguiu reagir e Rossi (acima com Oriali diante de Passarella e Tarantini - Storie di Calcio) só não marcou aos 23' porque o arqueiro Fillol foi irrepreensível na saída do gol, mas no rebote Conti foi até a linha de fundo, cortou o goleiro argentino e serviu para o lateral Cabrini bater forte para fazer 2 x 0!
O capitão Passarella ainda diminuiu para a Argentina aproveitando uma distração italiana, cobrando uma falta direto ao gol enquanto Zoff arrumava a barreira, mas com a expulsão de Gallego em seguida, foi a Itália que quase voltou a marcar, com Conti exigindo grande defesa de Fillol antes do apito final do árbitro Rainea.
Apesar da convincente vitória sobre os então campeões do mundo, a missão italiana continuava bastante indigesta, vez que a Azzurra tinha pela frente em seguida, ainda na disputa por uma vaga nas semi-finais, o excelente Brasil treinado por Telê Santana, certamente a equipe que vinha praticando o melhor futebol do torneio e que, como derrotara a Argentina por 3 x 1, jogava apenas por um empate contra o time de Bearzot.
Porém, o 05 de julho entraria para a história como o dia de uma das maiores tragédias da seleção Canarinho!
Comparado à Holanda de 1974 e reunindo craques do calibre de Júnior, Falcão, Sócrates e Zico, o Brasil tinha, assim como a Argentina, um grande organizador, cabendo ao Galinho de Quintino a função, razão pela qual não foi sem surpresa que coube a Gentile marcar o camisa 10 brasileiro (acima, o italiano executando sua missão com firmeza - Storie di Calcio).
Aliás, ciente da superioridade brasileira, Bearzot tratou de, sem mudar os jogadores (no alto, à direita, a formação que começou jogando contra o Brasil - Guerin Sportivo), mais uma vez alterar a forma de jogar do time italiano, mesclando a marcação homem a homem com a por zona, dando claras atribuições defensivas até aos criativos Antognoni e Conti.
Ademais, a grande saída brasileira era pelas laterais e a Itália logo percebeu que poderia explorar as descidas dos laterais brasileiros, conseguindo seu primeiro gol exatamente nas costas de Leandro, de onde Cabrini cruzou para Pablito Rossi, totalmente desmarcado, testar para o fundo das redes aos 5'.
O Brasil pareceu não sentir o gol e seu toque de bola continuou fluído, com o atacante Serginho, talvez o único destoante no scratch de Telê Santana, perdendo ótima oportunidade antes que Sócrates empatasse a partida aos 12' em ótima jogada de Zico.
Provavelmente, aí, o Brasil cometeu seu grande pecado, pois não obstante o empate fosse suficiente, a seleção Canarinho continuou praticando um futebol ofensivo, permitindo a Itália explorar sua melhor arma no contragolpe.
Daí, aos 25', Cerezo não prestou atenção na movimentação de Rossi ao tentar cruzar uma bola pela intermediária brasileira, com o avante italiano interceptando a bola e disparando contra a meta brasileira, batendo seco de fora da área para colocar a Itália novamente em vantagem.
O Brasil, então, sentiu o golpe e a Itália terminou a 1ª etapa melhor, mas o 2º tempo começou com o time brasileiro novamente atacando, sendo que Falcão conseguiu empatar a partida mais uma vez aos 23', em lance que Tardelli e Scirea seguiram Cerezo e deixaram L'Ottavo Re di Roma livre para fuzilar Zoff.
Até que Telê sacou o estático atacante Serginho para colocar o ágil meia Paulo Isidoro, de forma a proteger o resultado, mas, aos 29', Cerezo tentou recuar uma bola para Valdir Peres e acabou dando um escanteio de graça para a Itália.
Na cobrança de Conti, bem aberta, Oscar rebateu, mas Tardelli pegou o rebote e Rossi, dentro da pequena área, apenas desviou para tirar do alcance do goleiro brasileiro e decretar o 3 x 2 final.
O Brasil foi todo para a frente, deixando ainda mais espaço para o contra-ataque italiano, que voltou a estufar as redes com Antognoni, que teve o gol mal anulado pelo árbitro israelense Klein.
No dia da consagração de Paolo Rossi (mais acima perseguido por Júnior - Guerin Sportivo) - que até então vinha disputando uma competição totalmente apagada, Zoff ainda fez uma incrível defesa em cabeçada de Oscar aos 43'.
A classificação às custas de Argentina e Brasil promoveu uma verdadeira metamorfose na Itália - de decepção à favorita ao título, tanto que a Azzurra, então extremamente confiante, não teve maiores dificuldades para superar a Polônia nas semi-finais por 2 x 0.
Jogando no 1-3-3-3, com o jovem Bergomi (acima marcando Lato - Guerin Sportivo) no lugar do suspenso Gentile (em razão dos cartões amarelos recebidos por marcar Maradona e Zico), a Itália efetivamente anulou totalmente o jogo polonês, que não contou com Boniek (também suspenso) e viu Lato e Buncol sucumbirem diante da marcação de Cabrini e Oriali, sendo que, novamente, o homem decisivo foi Pablito Rossi, autor de uma doppietta.
A Itália, então, entrou em campo no dia 11 de julho no Santiago Bernabéu certa da vitória, pois, como Gentile destaca na obra As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos de Mauro Beting: "Tínhamos certeza que ganharíamos a Copa depois de passar pela Polônia. Estávamos tão certos porque estávamos em ótima forma física e mental. A Alemanha, em contrapartida, não estava tão bem".
Aliás, Gentile, já sem o bigode, foi uma das novidades para a final pelo lado italiano, vez que Antognoni não se recuperou das botinadas que sofreu contra a Polônia e ficou de fora do grande dia, assim como Graziani, que participou da foto oficial (acima - Guerin Sportivo) mas teve que dar lugar a Altobelli logo aos 8'.
Mesmo com a formação inédita e um tanto de improviso, com Bergomi e Gentile juntos e Tardelli com a missão de executar a função de Antognoni, a Itália foi padrona e não se abalou nem mesmo quando Cabrini desperdiçou uma penalidade máxima aos 24'.
Mas, gol mesmo, só no 2º tempo, primeiro com Rossi (que se sagrou artilheiro da competição) aos 12' aproveitando cruzamento de Gentile, depois com o épico chute de Tardelli (acima - Storie di Calcio) aos 23'.
Altobelli, em grande jogada de Conti, ainda marcaria o terceiro italiano aos 36', antes que Breitner descontasse para os alemães aos 38' e que a toda a Itália, finalmente unida, festejasse mais um título mundial (ao lado, a celebração com Zoff erguendo a taça - Efe)!
Quarenta e quatro anos após a conquista anterior, a Itália voltou a fregiarsi del titolo più prestigioso in campo calcistico e, sendo mais do que nunca, Itália!
Abaixo, vídeo contendo os melhores momentos da crucial vitória sobre o Brasil, com narração em português de Luciano do Valle:

video

Na Última Vez ...

14 Comments:

At 7:38 PM, Blogger Michel Costa said...

A vitória da Itália sobre o Brasil nessa Copa provocou o surgimento de duas correntes fundamentalmente equivocadas. A primeira, absolutamente tosca, pregava que não era possível jogar bonito e vencer. A segunda, um pouco mais ponderada, apontava para a fatalidade daquela derrota, dizendo ser possível perder jogando feio ou bonito.
Na verdade, a derrota brasileira aplicou uma lição que deveria ter sido melhor assimilada. Não basta reunir os melhores e colocá-los para jogar ofensivamente. Sem a bola, todos devem marcar e diminuir os espaços.
Além disso, cabe dizer, que aquela versão da Azzurra é bem mais poderosa do que costumam falar por aqui.

Grande abraço e parabéns pelo ótimo texto.

 
At 8:02 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Muitíssimo obrigado! Realmente, a derrota brasileira no Sarriá, muitas vezes, leva a conclusões equivocadas e é analisada sob a perspectiva equivocada de uma 'Azzurra' muito inferior ao que realmente foi.
Aliás, aquele Brasil x Itália é o primeiro jogo da seleção válido por Copas do Mundo que me lembro de ter assistido ((me recordo até do local onde acompanhei a partida, ainda bem pequeno!) e, como você deve ter notado, estou fazendo ótimo uso do livro que você me presenteou.
Abraços,

 
At 4:12 PM, Anonymous PAI said...

RODOLFO
Muito apropriados os comentários do Michel Costa e o seu. Entretanto, às vezes uma partida é decidida por um detalhe que acontece independentemente das opções do técnico ou da qualidade dos jogadores. No caso presente, a meu ver, o lance que definiu o jogo foi a infeliz bobeada do Toninho Cerezo que deu de graça um gol para a Itália.

 
At 6:12 AM, Blogger Michel Costa said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 8:24 PM, Blogger Michel Costa said...

Notei sim, Rodolfo. E fico feliz do livro também ter essa utilidade. Ainda não comecei a ler o "livro gêmeo", pois tenho que terminar a leitura das revistas mensais, mas quero fazê-lo antes da Copa para poder recomendá-los.

Abraço.

 
At 10:14 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Pai,
Realmente, uma jornada infeliz do Cerezo acabou tendo um peso significativo no resultado da partida entre Itália e Brasil pela Copa de 1982. Aliás, não sei se você notou, mas o 3º gol italiano também surgiu de um escanteio originado por uma bola bobamente (e má) recuada pelo grande Toninho, que, entretanto, foi um craque de bola.
Abraços,

 
At 10:15 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Estou adorando o livro, que estou quase terminando! Aliás, tenho grande vontade de, um dia, escrever um também, quem sabe sobre os brasileiros que jogaram na Serie A?
Mas, para tanto, vou ter que, ao menos, me afastar desse blog ...
Abraços,

 
At 9:03 AM, Anonymous Pai said...

Rodolfo
Relembrei agora, graças ao seu "blog". Mas o que nunca esqueci, desde 1982 (onde assistimos o jogo?), foi aquela cruzada de bola do Cerezo, sem nenhuma atenção que resultou no 2º gol da Itália, quando o Brasil tinha o jogo sob controle. Foi, a meu ver, o lance crucial da partida.
Em compensação, ganhamos outra Copa, nos penaltis, devido e uma enorme infelicidade do grande craque Roberto Baggio.

 
At 11:02 AM, Blogger Rodolfo Moura said...

Pai,
Na minha recordação, assistimos a partida na Rua Paissandú, em um apartamento no 14º andar do prédio em que morávamos (era, inclusive, um apartamento conjugado, se não me engano). Não me recordo do proprietário do apartamento ...
Estou indo, dentro de alguns minutos, para Belo Horizonte, onde ficarei até sexta!
Beijos,

 
At 2:49 PM, Blogger Michel Costa said...

Grande ideia essa do livro, Rodolfo.
Tenho certeza que não te falta bagagem para escrevê-lo.
No que tange o afastamento do blog, a pessoa mais indicada para saber se haverá tempo ou não é você mesmo, porém, desde já faço votos para que consiga conciliar os dois.

Abraços.

 
At 6:26 PM, Anonymous PAI said...

Rodolfo
O apto do 14º andar da Rua Paissandu 209 era dos nossos amigos do Lions Club Almir e Mariazinha. Realmente, eles adquiriram dois aptos e os transformaram em um só, bastanta amplo.

 
At 6:34 PM, Blogger Fabriani Melazzo said...

A Azzurra de 82 era tão boa qto a seleção Canária.
O problema é que a arrogância futebolística dos brasileiros não consegue admitir isso, principalmente por parte da imprensa.
Na minha opinião essa foi uma das melhores Azzurras de todos os tempos e mereceu ser campeã. Era um timaço.
Muito show seu artigo Rodolfo.
Abraccio a tutti...

 
At 10:34 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Fabriani,
Muitíssimo obrigado! Acho que a seleção brasileira de 1982, no tocante a técnica, era realmente superior a italiana que terminou campeã e que, de qualquer modo, era também fortíssima.
Também concordo que, muitas vezes, na onda de determinados jornalistas influentes, os brasileiros parecem míopes e acreditam que, pelo simples fato do jogador ter nascido em nosso País, é melhor que os demais ...
Felizmente, com a popularização do futebol europeu em nosso País, acredito que tal distorsão vá diminuir.
Abraços,

 
At 12:20 AM, Anonymous Anônimo said...

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