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quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Memorabilia - Bulgarelli

O Calcio está de luto, pois no último dia 12 faleceu, em Bologna, na clínica Villa Nigrisoli, "la più grande bandiera rossoblù" (como afirmado pelo próprio clube em seu site) - o antigo centrocampista e atualmente opinionista Giacomo Bulgarelli.
Ragassolo, como Bulgarelli era chamado pelo mítico presidente Renato Dall'Ara, nasceu aos 24 de outubro de 1940 em Medicina (uma pequena comuna na província de Bolonha) e transcorreu toda sua carreira no clube rossoblù (ao lado um Bulgarelli bastante jovem em ação - Corriere della Sera), do qual se tornou o recordman de presenças, com 486 (sendo 391 pela Serie A) aparições dentre 1958 e 1975.
E imaginar que o pequeno Giacomo sequer cogitava em ser jogador de futebol, mas acabou levado ao Bologna pelo húngaro Lelovich, então responsável pelo settore giovanile do clube felsinei e que viu o jovem Ragassolo chutando bola na via Montanari, onde coincidentemente tanto residia o allenatore quanto a família Bulgarelli.
Dos pulcini à Serie A foi um passo, com Bulgarelli fazendo sua estréia na máxima divisão do futebol italiano a 18 anni e mezzo no dia 19 de abril de 1959 (Bologna 1 x 0 Vicenza).
Centrocampista completo, capaz de atacar e defender, Bulgarelli era veloz, dotado de grande habilidade e facilidade no saltare l'uomo, ao que ainda somava o fato de ter um físico robusto, algo excepcional em se tratando de um oriundo da generazione di guerra.
Importantíssimo na carreira de Bulgarelli (na foto ao lado mais à esquerda - Liverani) foi o treinador Fulvio Bernardini, amante do futebol técnico e que, primeiramente, o fez jogar de trequartista e, posteriormente, o colocou como regista, função na qual Bulgarelli pode melhor expressar suas imensas qualidades.
O início da década de 1960 é a época do Milan de Rocco e da Inter de Herrera e o Bologna de Bulgarelli vai navegando tra il quarto e il quinto posto até que chega a temporada 1963/1964.
Apesar da idade ainda tenra, Bulgarelli já havia se tornado um líder dentro e fora de campo, bem como titular da seleção italiana, com a qual fez sua estréia em plena Copa do Mundo do Chile, na vitória azzurra sobre a Suíça por 3 x 0, realizando logo uma doppietta (no total, Bulgarelli fez 29 partidas e 7 gols com o selecionado italiano principal).
Aí, comandando uma mescla de jogadores extraordinários como os estrangeiros Haller e Nielsen e os nazionali Fogli, Janich, Negri, Pascutti e Tumburus, Bulgarelli conduziu o clube rossoblù ao scudetto em 1964, o único decidido em um spareggio (abaixo, a formação do Bologna com o scudetto no peito que enfrentou a Juventus em 16 de outubro de 1964, com Bulgarelli sendo o 2º sentado, da esquerda para a direita - Guerin Sportivo) e que seria o último dos 7 conquistados pelo Bologna.
Anima, cervello e forza del centrocampo bolognese, Bulgarelli era também peça fundamental no esquema do c.t. azzurro Edmondo Fabbri e, como todos os demais italianos que foram ao Mundial de 1966 (na foto mais abaixo, a formação da Itália que enfrentou a União Soviética em 16 de julho de 1966, sendo Bulgarelli o que está com a bola - La Presse) naufragou diante da da Coréia do Norte e de Pak Doo Ik.
Para Ragassolo, o retorno da Inglaterra foi ainda mais doloroso, vez que teve seu ginocchio rovinato e, pouco tempo depois, acabou passando o posto de regista da Azzurra a Giancarlo De Sisti (Bulgarelli ainda chegou a integrar o grupo italiano que venceu o Europeu de 1968, ma sem entrar em campo uma única vez).
No Bologna, entretanto, Bulgarelli continuou jogando até 1975, quando fez sua última partida no dia 04 de maio no empate de 1 x 1 com o Ascoli, jogando como líbero, posição que ocupou em seus últimos anos como profissional por sugestão de Bruno Pesaola.
Com o clube rossoblù, além do fantástico scudetto, Bulgarelli ainda conquistou as Copas Itália das temporadas 1969/1970 e 1973/1974, bem como uma Mitropa Cup (1961) e uma Coppa di Lega Italo-Inglese (1971).
Depois de encerrar sua carreira agonística, Bulgarelli trabalhou como dirigente no Palermo e como comentarista televisivo para uma série de emissoras, dentre as quais a RAI.
Ultimamente, trabalhava como seconda voce nas partidas de Serie A e B transmitidas pela Mediaset Premium.
Acerca do amigo, o atual mister da seleção inglesa, Fabio Capello, ao saber do seu falecimento, declarou: "Sono entrato in Nazionale dopo di lui e secondo me è stato il miglior centrocampista che l'Italia abbia avuto. Sapeva stare in campo, recuperare palloni, fare gol, era un leader in campo e fuori" (algo como, em tradução livre: "Cheguei a seleção depois dele e na minha opinião foi o melhor meio-campista que a Itália já teve. Sabia se colocar em campo, recuperar bolas, fazer gols, era um líder dentro e fora de campo").

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Na Última Vez ...

21 Comments:

At 3:39 PM, Blogger Michel Costa said...

Como sempre, um excelente texto, Rodolfo. Sabe, sou fascinado pela posição de 'regista'. Atualmente, vejo o Pirlo provando que essa posição é algo mais moderno do que nunca.
Quanto ao 'spareggio' citado no texto, ele se deu contra a Inter, não?

Abraços

 
At 6:39 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Pois é, mas, infelizmente, Pirlo é um dos poucos da espécie, não acha? Quanto ao 'spareggio', ele realmente ocorreu, para seu desprazer, contra a Inter.
Abraços,

 
At 9:26 PM, Blogger JP said...

Rodolfo, tal como disse o Michel excelente texto! Confesso que só fiquei a 'conhecer' este jogador quando soube da sua morte há uns dias atrás, mas como sempre ao ler este teu óptimo 'post' fiquei a saber praticamente tudo sobre a sua brilhante carreira.
Abraços

 
At 9:43 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

JP,
Muito obrigado! Fico muito lisonjeado com seus elogios!
Abraços,

 
At 7:54 PM, Blogger Michel Costa said...

Rodolfo,

Penso que a função de regista realmente não tem muitos representantes hoje. Em geral, os treinadores optam por jogadores que dão mais combate e protegem os zagueiros com mais afinco.
Além de Pirlo, outro que se encaixa no perfil é o ídolo da Cyntia, o narigudo Volpi (hehehe, escrevi isso só pra ver se ela aparece :)
Bom, voltando ao tema, acho que temos algumas variações desse estilo em nomes como Gago, Xabi Alonso, Xavi (um pouco menos) e Liverani.
Para mim, o espanhol Guardiola, o argentino Redondo e o italiano Albertini faziam a função com perfeição.
Agora, li numa coluna do Tostão que o Gérson seria o perfeito regista. Na ocasião, o ex-jogador definiu o colega como "um Pirlo muito melhorado".

Ótimo esse assunto.

E falando em espécies em extinção, o líbero, no sentido do termo, também acabou.
Aliás, não sei se o Baresi já foi tema do Memorabilia, mas, se não foi, valeria a pena, tanto pelo jogador, quanto pela função que exercia.

Abração.

 
At 11:48 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Vamos por partes!
Primeiro, a Cyntia anda sumida mesmo!
Quanto a função de regista, excelente a lista por você apontada, a qual acrescentaria, ainda, o argentino Ledesma da Lazio que, para mim, já mereceu uma oportunidade na 'Selección'.
Obviamente, não peguei o Gérson jogando, mas pelas poucas partidas que pude assistir ele era realmente um maestro.
Agora, não gosto muito dessas comparações envolvendo jogadores de épocas diferentes, até porque tendemos a idealizar os jogadores do passado - mas não estou afirmando que o Gérson não era melhor que o Pirlo, por favor!
Quanto ao Baresi, efetivamente ainda não escrevi uma 'Memorabilia' com o Franco, mas apenas com seu irmão Giuseppe - http://calcioseriea.blogspot.com/2008/07/memorabilia-giuseppe-baresi.html.
Abraços,

 
At 7:31 AM, Blogger Michel Costa said...

Rodolfo,

Também acho complicado comparar jogadores do presente e passado. Não por acaso, quando mentalizo minhas seleções, costumo dividí-las entre as que vi e que não vi jogar.
Outro dia estava conversando com um amigo e montei a Seleção Brasileira que não acompanhei em campo: Leão; Carlos Alberto Torres, Domingos da Guia, Luis Pereira e Nílton Santos; Didi e Gérson; Garrincha, Zizinho, Zico e Pelé.
Depois montei a que vi: Júlio César; Jorginho, Aldair, Mauro Galvão e Roberto Carlos; Mauro Silva, Dunga, Kaká e Rivaldo; Ronaldo e Romário.

Ora, então fica a ideia para uma 'Memorabilia' do grande líbero rossonero. E pode ir preparando também para Maldini e Nedved, pois falta pouco...

Abraço e um ótimo domingo de Calcio pra você.

 
At 10:46 AM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Está na hora de polemizar: Leão foi melhor que Gilmar e Castilho? Seu ataque não precisa de um matador, do tipo Ademir ou Leônidas?
Você podia abordar essas temas no A4L, o que acha?
Um ótimo domingo cheio de 'Calcio' para você também!
Abraços,

 
At 11:29 AM, Blogger Cyntia said...

Achei!!! Então é aqui que alguém menciona o Volpi, chamando-o de narigudo?! É, né?! Tá bom... kkkkkkk
Mais um nessa lista de registas: Eugenio Corini, que, infelizmente, está largado no Torino.

Muito boa sua Memorabilia com o Bulgarelli. Costumava assistir à Domenica Sportiva quando ele era comentarista. Há uns bons 4/5 anos atrás.

Da fase dele de jogador, pouco conhecia. Nem sabia que ele havia jogado no Bologna. Agora soube mais coisas lendo aqui.

Ah, faço meu o pedido de uma Memorabilia com Franco Baresi. Ele merece.

Abraço e bons jogos

Ps. Quanto ao Michel, deixa ele comigo :P

 
At 12:00 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Cyntia,
Muito bem lembrado, Corini é um típico 'regista'!
Fico muito feliz que tenha gostado da 'Memorabilia' com o Bulgarelli, ao tempo em que vou começar a preparar uma com o grande 'Kaiser' Baresi.
Abraços,

 
At 2:34 PM, Anonymous Brahma said...

Alem de ter sido um grande jogador ele era tb um valido comentarista e conhecedor do futebol italiano. Quando o Pagliuca sofreu a expulsao durante a Copa do 94 no jogo Italia-Noruega, ainda antes do Sacchi fazer a substituiçao ele falou: "eu tiraria o Baggio"...
Abraço

 
At 3:07 PM, Blogger Michel Costa said...

Rodolfo,

Sei das qualidades de Gilmar e Castillo, mas o primeiro ficou conhecido por só jogar bem na Seleção e o segundo por só atuar bem com a camisa do Flu. Então, acabei optando por Leão que, além de muita personalidade, praticava defesas incríveis como aquela diante de Cruyff em 1974.

Quanto ao tema, você parece ter adivinhado. A partir deste mês o A4L vai abordar os mais diferentes (e polêmicos) temas. E o primeiro da série tentará responder à pergunta: "Qual é a melhor liga nacional do mundo?"
Espero contar com sua visita e a dos amigos deste blog.

Abraços e aguardando Inter vs Roma.

PS: Avisa pra Cyntia que eu estou preparado para o ataque :§

 
At 5:47 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Brahma,
Estava com saudades do amigo! Quanto ao Bulgarelli, parece que ele só não teve muito sucesso como dirigente, não?
Abraços,

 
At 5:53 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Eu, realmente, não tenho condições de dizer quais dos goleiros citados foi melhor.
Agora, para esse tipo de exercício, antes de mais nada, é importante definir os critérios. Por exemplo, se for para montar uma seleção com os melhores jogadores brasileiros de todos os tempos, os escolhidos serão uns, porém, se for com base na passagem de cada um pela seleção, serão outros. Assim, o Zico, se for com base em seus resultados na seleção, deverá ficar de fora, mas se for por sua história completa, talvez tenha um lugar...
Abraços,

 
At 8:39 PM, Blogger Michel Costa said...

Rodolfo, não se esqueça que o Zico é o segundo maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. Só perde para o Pelé.

Abraço.

 
At 9:58 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Há controvérsias quanto a essa colocação...
E, aí, voltamos a questão das comparações, pois os jogadores dos últimos 20-30 anos vão levar larga vantagem sobre os mais antigos, que jogavam muito menos.
O Ademir Menezes, por exemplo, deve ter uma média muito superior a de Zico, não?
Abraços,

 
At 10:46 PM, Blogger Michel Costa said...

Rodolfo,

Eu até entendo sua preocupação com o Zico, afinal ele sempre foi um rival terrível do seu Fluminense, mas imaginar que o Ademir Menezes o barraria nessa seleção é algo que nunca passaria pela minha cabeça.
Falando em média, pesquisei sobre o aproveitamento dos dois e a de Ademir é superior. No entanto, o atual treinador do CSKA marcou mais vezes pela Seleção Brasileira (sempre a principal):
Zico: 66 gols em 88 jogos - média 0,75.
Ademir - 37 gols em 41 jogos - média superior a 0,9.

Na verdade, Zico entra na Seleção por ser o maior jogador brasileiro depois de Pelé.

Abraços.

 
At 11:04 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
Ops... alto lá! Não vou negar que estava provocando (um pouco) o meu amigo ex-flamenguista, mas, ao afirmar que Zico é 'o maior jogador brasileiro depois de Pelé', acho que você exagerou...
Até acredito que o 'Galinho de Quintino' tenha sido o maior jogador brasileiro da década de 1980, mas daí para ser o 2º melhor brasileiro da história...
E, para sua ciência, apesar do Zico ter deitado e rolado (apenas algumas vezes) em cima do Fluminense, o 'Galinho' foi meu grande ídolo da infância e, nas poucas vezes que fui tiete na minha vida, uma delas foi com o Zico, com quem guardo uma foto tirada há uns 20 anos atrás.
Prefiro o Rivelino nesta seleção!
Abraços sorridentes,

 
At 6:23 AM, Blogger Michel Costa said...

Rodolfo,

Rivelino?! Ah, agora eu entendi.
Virou mesmo uma disputa interclubes...
Bom, se é assim, vou tirar Leão, Torres e Nílton Santos e incluir Raul, Leandro e Júnior... hehehe.

Abraços e uma ótima semana, meu amigo.

 
At 12:30 AM, Anonymous Prisma said...

Ótimo texto, Rodolfo. Não conhecia nada do Bulgarelli. E uma intimação: um memorabilia de Franco Baresi, o legitimo libero.

 
At 1:13 AM, Blogger Rodolfo Moura said...

Xará,
Muito obrigado! Pode deixar que a 'Memorabilia' com o mais novo dos 'fratelli' Baresi já está no forno!
Abraços,

 

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