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sexta-feira, junho 18, 2010

A Itália Nos Mundiais - 1994


Depois da desilusão causada por Maradona e Caniggia em 1990 e da mancata classificação à Eurocopa disputada em 1992 na Suécia, a F.I.G.C. optou por encerrar, após 5 anos, a gestão de Azeglio Vicini à frente da Azzurra, interrompendo ainda a tradição de promover treinadores de seu próprio quadro ao posto de comissario tecnico ao escolher para o cargo o badalado Arrigo Sacchi, mentor do revolucionário Milan do final da década de 1980 e início da seguinte.
A chegada de Sacchi ao comando da seleção italiana implicou em larga renovação do grupo azzurro, com o técnico de Fusignano testando 52 jogadores em apenas 24 partidas até a Copa de 1994, disputada nos Estados Unidos.
Aliás, para chegar a 15ª Copa do Mundo, disputada entre 17 de junho e 17 de julho de 1994, a Itália, que voltou a participar das Eliminatórias após 11 anos, suou, mas conseguiu terminar em 1º no Group 1 da Zona Européia, chegando a frente de Suíça (também classificada), Portugual, Escócia, Malta e Estônia, precisando, entretanto, vencer a seleção lusitana no último compromisso para carimbar o passaporte.
Adepto do 4-4-2 com 3 linhas horizontais davanti al portiere, postando 4 difensori in linea, Sacchi levou aos Estados Unidos 7 dos seus antigos comandados no Milan e, na estréia contra Irlanda no Giants Stadium de Nova Iorque, escalou uma defesa toda rossonera (acima a formação italiana que entrou em campo - Guerin Sportivo), composta pelos laterais Tassotti (que só chegou a seleção principal levado por Sacchi aos ... 32 anos!) e Maldini e pelos zagueiros Costacurta e Baresi, tendo ainda Albertini como volante e Donadoni e o ex Evani como esterni di centrocampo completando a base milanista.
Porém, apesar do coletivo rossonero, o time italiano, talvez sentindo o forte calor do verão norte-americano, não se encontrou em campo, não conseguiu realizar o pressing desejado por Sacchi e ainda sofreu um gol marcado pelo meia Houghton logo no início da partida após falha de Baresi e que contou com a colaboração de Pagliuca, infantilmente encoberto pelo irlandês.
Com a derrota na estréia, a Itália foi enfrentar a Noruega no dia 23 de junho, no mesmo Giants Stadium, precisando da vitória e com nova formação, com Benarrivo no lugar de Tassotti, Berti no de Donadoni e Casiraghi no de Evani, com Signori, artilheiro das duas últimas edições do campeonato italiano, postado como esterno di centrocampo.
Aliás, a utilização de Beppe Signori fora de sua posição habitual, onde certamente renderia mais, certamente comprometeu um melhor desempenho da Azzurra, vez que Sacchi, perfeccionista ao extremo, tinha a característica de não montar seu esquema com base nas melhores qualidades dos jogadores à disposição, mas sim exigir que os atletas escolhidos se adaptassem ao esquema de jogo pretendido.
De qualquer maneira, contra os nórdicos a Itália começou muito bem, criando várias oportunidades de gol até que aos 21', em uma das primeiras descidas da Noruega, Benarrivo não acompanhou o resto da defesa italiana e deixou em condições o meia Leonhardsen, que partiu em direção da meta de Pagliuca totalmente livre, obrigando o goleiro italiano a interceptar a bola com a mão fora da área ... e ao árbitro alemão Krug exibir o cartão vermelho!
Sacchi, em substituição muito contestada, sacou Roberto Baggio para a entrada do arqueiro reserva Marchegiani e, no início do 2º tempo, a Itália ainda perdeu seu capitão Baresi em razão de contusão que obrigou o veterano líbero a realizar uma atroscopia que o deixou afastado dos gramados até a final da Copa.
Porém, a polêmica alteração promovida por Sacchi acabou se mostrando acertada, vez que Casiraghi, mais encorpado, era o único atacante capaz de fazer frente aos fortes zagueiros noruegueses, enquanto Albertini, Berti e o outro Baggio, Dino, mantiveram o controle da meia cancha.
Ademais, se Il Codino não estava mais em campo, foi Dino Baggio quem resolveu para a Itália marcando o gol da importante (e suada) vitória em cruzamento de Signori (eficaz quando passou a jogar pela esquerda) aos 24' do 2º tempo (na foto mais ao alto, à esquerda, o gol decisivo - Guerin Sportivo).
Na última rodada da 1ª fase, todas as equipes do Grupo E entraram com o mesmo número de pontos e da mesma forma fecharam a classificação, diante dos empates de 1 x 1 entre Itália e México e 0 x 0 entre Irlanda e Noruega, resultados que classificaram diretamente mexicanos e irlandeses e a Itália como uma das melhores terze, eliminando os noruegueses.
Aliás, contra o México, novamente Sacchi alinhou Signori (à esquerda marcado por Bernal - Guerin Sportivo) no meio de campo e Roberto Baggio e Casiraghi no ataque (acima, à direita, a formação inicial da Azzurra - Storie di Calcio) e, apesar da tórrida temperatura de 40º C, os italianos foram melhores que os adversários, mas ao gol de Massaro marcado no início do 2º tempo (o atacante do Milan substituiu Casiraghi no intervalo), Bernal respondeu com um diagonale que entrou no canto de Marchegiani.
Obviamente, a classificação obtida ad un filo não reservou uma missão fácil para a Itália nas 8ªs de final, cabendo como adversária a Nigéria, uma das equipes que melhor vinha se apresentando na Copa do Mundo, tendo terminado em 1º lugar no Grupo D, à frente de Bulgária e Argentina.
Para o confronto contra os africanos, Sacchi revolucionou a escalação italiana, inserindo Mussi na lateral direita até então ocupada por Benarrivo, que passou à lateral esquerda, de onde Maldini foi deslocado para a posição de Costacurta, que, por sua vez, fora ocupar a posição de Baresi. Mais: trouxe Berti para a posição de Dino Baggio, retornando com Donadoni à equipe titular e trocando Casiraghi por Massaro!
Com a bola rolando, a partida seguia um tanto sonolenta até que Maldini rebateu mal um escanteio e a pelota sobrou para Amunike abrir o marcador aos 26' para a Nigéria.
Aí, a Itália acordou e buscou reagir, chegando a acertar a trave do arqueiro Rufai com Dino Baggio e reclamando de pênalti não marcado em Roberto Baggio, mas depois do péssimo árbitro mexicano Brizio Carter ter expulsado injustamente Zola aos 30' do 2º tempo (o piccolo fantasista havia entrado apenas 12' antes e sequer cometeu falta no lance apenado com o rosso), a Azzurra praticamente dava adeus ao Mundial até que, aos 43', Mussi serviu Roby Baggio que, dentro da área, acertou o canto e empatou a partida com um chute delicioso.
A partida, então, foi para a prorrogação e a Nigéria, mesmo com um homem a mais (terminou inclusive com dois de vantagem, vez que Mussi sofreu de câimbras após todas as substituições efetuadas e teve que deixar o campo, obrigando Massaro a compor a defesa!), sentiu o golpe e acabou derrotada quando Roberto Baggio marcou mais um gol, desta vez de pênalti, assinalado por falta em Benarrivo.
Nas 4ªs de final, mais uma vez a dupla Dino e Roberto Baggio foi decisiva em outra partida épica, decidida novamente apenas nos minutos finais.
Como de costume, Sacchi revolucionou l'undici inicial, promovendo o retorno de Pagliuca ao gol e substituindo Mussi e Signori por Tassotti e Conte, tudo isso para enfrentar um ferrolho montado pelo espanhol Clemente, que postou sua seleção com 5 defensores, 4 meias e apenas una punta di movimento, o blanco Luis Henrique.
Obviamente, as equipes encontraram pouco espaço para jogar, mas a Itália fez talvez sua melhor atuação na Copa, impondo um melhor toque de bola até que Dino Baggio acertou um tirambaço que entrou no ângulo de Zubizarreta aos 25'.
Porém, em um momento de desatenção da defesa italiana, no início do 2º tempo, Caminero chutou ao gol, a bola desviou em Benarrivo e venceu Pagliuca, deixando a partida empatada.
A Itália, então, sentiu o golpe e a Espanha teve oportunidade de virar o placar, mas o grandalhão Salinas (no alto, à direita, marcado por Costacurta - Storie di Calcio) pareceu hipnotizado por Pagliuca e propiciou a defesa do arqueiro italiano na melhor chance ibérica.
Aí, coube mais uma vez a Roby Baggio decidir a partida, recebendo de Signori e passando por Zubizarreta antes de estufar as redes espanholas aos 43' da 2ª etapa para classificar a Itália para as semi-finais.
A Bulgária havia, de forma surpreendente, eliminado a poderosa Alemanha de Matthäus & Cia. nas 4ªs de final, mas não foi párea para uma ótima Itália no dia 13 de julho novamente no Giants Stadium.
Efetivamente, comandada por um stratosferico Albertini, a Itália foi impiedosa nos minutos iniciais da partida, abrindo 2 x 0 com uma doppietta de Roberto Baggio (acima em ação - Storie di Calcio), cabendo a Stoichkov, cobrando pênalti, definir o placar ainda no 1º tempo.
Sob forte sol, as equipes européias pouco produziram no 2º tempo, sendo dignos de nota apenas a contusão sofrida por Roberto Baggio e o cartão amarelo aplicado a Costacurta, que privou o stopper italiano de disputar a finalíssima.
Depos de muita angústia, Roberto Baggio foi confirmado para a partida do Rose Bowl, mas a grande surpresa no time italiano (acima os onze que começaram jogando - Guerin Sportivo) ficou por conta da presença do capitano Baresi, incrivelmente recuperado depois da operação de menisco sofrida já no curso da competição.
A 5ª final alcançada pela Itália foi certamente uma das mais equilibradas de todos os tempos, embora também tenha sido a 1ª a terminar frustrantemente sem gols, com as defesas predominando sobre os ataques.
O Brasil, contando com vários jogadores descartados da Serie A (dentre os quais os titulares Branco, Dunga e Mazinho, assim como o subvalorizado Taffarel) teve as melhores chances ao final da partida, mas a Itália, com Massaro (acima contra Aldair - Storie di Calcio), teve uma das primeiras, cabendo a goleiro da Reggina evitar o gol italiano em descida veloz do atacante italiano.
Porém, mais uma vez o calor condicionou o desenrolar da partida e, quando a disputa para ser o primeiro tetracampeão mundial foi para os pênaltis, claramente os times estavam exaustos.
O final, todo mundo conhece, depois de Baresi, Márcio Santos e Massaro desperdiçarem suas cobranças, coube a Roberto Baggio (acima marcado por Dunga - Guerin Sportivo) - que nunca havia chutado uma penalidade por cima do travessão e que, segundo o próprio havia "sempre sognato di giocare una finale mondiale e che l'avversario fosse il Brasile" - errar a cobrança fatal (abaixo a imagem do lance decisivo - Guerin Sportivo).
Apesar da natural decepção, a Squadra Azzurra deixou os Estados Unidos de cabeça erguida, deixando a impressão de que, melhor preparada fisicamente e sem os excrecências táticas de seu treinador, talvez o final da história fosse outro, embora para o astro Roby Baggio "fu Senna dal cielo a far vincere il Brasile"!
Abaixo, vídeo da histórica final de 1994, com entrevista com diversos protagonistas, incluindo o goleiro Pagliuca.

Na Última Vez ...

7 Comments:

At 11:03 AM, Blogger Michel Costa said...

Apesar dos tropeços no início, vejo essa itália como um time até mais forte do que o de 2006. Além de Baggio, Baresi, Maldini, Donandoni e outros transformavam aquela equipe numa das forças mais temíveis daquele Mundial.
Uma pena que o pênalti final tenha sido desperdiçado por Baggio. Ele não merecia. Se pudesse escolher, preferiria ter visto aquela cobrança sendo convertida para, em seguida, Bebeto converter a sua.

Abraços.

 
At 10:50 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Michel,
É verdade, a Itália de 1994 era um belo time, embora muito prejudicado pelo forte calor que assolou a terra do Tio Sam naquele período e, na minha opinião, inferior a de 1990 eliminada pela Argentina, sempre nos pênaltis.
Quanto ao Baggio, certamente ele não merecia desperdiçar a cobrança e o seu desfecho seria mais glorioso.
Abraços,

 
At 8:52 AM, Anonymous Guilherme Siqueira said...

De todas as copas do mundo que assisti(a 1ª foi justamente essa), nenhum jogador foi tão decisivo para a sua seleção como Baggio foi para a Itália nessa copa.
Infelizmente o futebol tem dessas ironias...

 
At 7:20 PM, Blogger Cyntia said...

Ahahahaha Desse mundial, recordo uma cena hilária da transmissão da Band com o Silvio Luiz. Lá pelas tantas de uma prorrogação, ele diz a pérola: 'Ihhhh, o Mussi azedou!'. Morri de rir!!!!

Agora falando sério, a melhor Copa que já vi. Saudades desse Mundial. Mesmo com a derrota italiana, oi o mais significativo pra mim. Até mais que o de 2006 quando a Itália venceu.

Abraços

 
At 11:53 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Guilherme,
Realmente, Baggio foi um dos jogadores mais decisivos para sua seleção em uma Copa, só o colocaria (porque assisti) abaixo de Maradona em 1986.
Abraços,

 
At 11:58 PM, Blogger Rodolfo Moura said...

Cyntia,
O Silvio Luiz realmente era (uso o verbo no passado porque há muito não acompanho um jogo narrado pelo mesmo) hilário, embora, na minha modesta opinião, deixasse muito a desejar em termos de conhecimento quanto as equipes.
Embora tecnicamente não tenha sido um primor, a Copa de 1994 foi realmente bastante interessante para nós, amantes da 'Canarinho' e da 'Azzurra'.
Abraços,

 
At 9:11 PM, Anonymous Anônimo said...

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